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Aprovado modelo de recolha de lixo

Luanda vai ter um novo modelo de recolha de lixo, que vai reduzir à metade os cerca de 35 milhões de dólares que a cidade gasta actualmente por mês, retirar os contentores da zona urbana e aumentar a eficiência nesse trabalho.


A Comissão Económica do Conselho de Ministros validou ontem o Memorando sobre a melhoria do modelo de limpeza pública, higienização, controlo de vectores e gestão dos resíduos sólidos da província de Luanda, que vai introduzir o novo modelo de recolha de lixo.



O documento apresenta uma abordagem histórica dos modelos usados no passado recente na capital do país, uma incursão sobre os modelos utilizados pelo mundo fora, avaliação dos aspectos positivos e negativos do actual modelo, bem como as propostas de correcção e o sistema de sustentação económica a adoptar para o novo modelo. 



De acordo com o governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, a implementação do novo modelo vai ser gradual e a recolha de lixo será feita de noite. O governador, que falava à imprensa no final da reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros, indicou que serão definidos dias e horas para a recolha de cada tipo de lixo (orgânico e selectivo). A implementação do novo modelo de recolha de lixo em Luanda vai levar cerca de 12 meses, segundo o governador, mas deve ser antecedida de uma fase de mobilização e de sensibilização da população.



O vice-governador da província de Luanda para o sector Económico, Júlio Bessa, que participou ontem na reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros, disse que o modelo actual tem algumas insuficiências, porque não envolve a população na recolha e tratamento dos resíduos sólidos.



“Aos cidadãos cabe apenas depositar o lixo no contentor. Não deve ser assim e queremos estar alinhados com as boas práticas mundiais”, disse.



Em relação à retirada dos contentores das zonas urbanas, Júlio Bessa lembrou que Luanda não tinha contentores e o lixo era recolhido porta-a-porta. O novo modelo, de acordo com o vice-governador, vai abranger todas as áreas de ocupação urbana da província. Júlio Bessa disse que o novo modelo traz um serviço para as zonas urbanizadas (asfaltadas em que a limpeza, a higienização, a lavagem das ruas, a poda são feitas com meios mecânicos).



O novo modelo traz ainda um serviço para zonas urbanizadas mas não asfaltadas (como Benfica) e outro para zonas de difícil acesso a meios mecânicos (como Catambor, Rocha Pinto).



“Aqui, teremos um envolvimento da comunidade; vamos contratar pequenos empresários, recolhedores de lixo, por via da subcontratação por operadoras”.



O vice-governador esclarece que o novo modelo é fiscalmente mais eficiente para a cobrança pelo lixo. No entanto, esclarece: “não vamos aumentar as taxas nem fazer alterações bruscas ao preço. O que vamos fazer é que a ENDE passe a emitir apenas uma factura, ao invés de duas, mas o valor do lixo passa a constar da factura da ENDE”.



O modelo actual, segundo o vice-governador, tem também insuficiência na forma de financiamento.



“O modelo actual é insustentável, porque a forma como se faz a cobrança do lixo não é eficaz”, disse.



Jornal de Angola