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ONU disponibiliza 12,5 milhões para prevenção da COVID-19

As Nações Unidas têm disponíveis 12,5 milhões de dólares, um valor reprogramado para o Estado angolano dar resposta nacional na prevenção à propagação da COVID-19, anunciou nesta terça-feira, 14, em Luanda, o coordenador residente daquele o... Ver mais


Paolo Balladelli, que falava à imprensa após ter sido recebido em audiência pelo Presidente da República, no Palácio Presidencial, reconheceu que o facto de o Presidente João Lourenço ter declarado o Estado de Emergência atempadamente faz antever que não haverá, no país, uma situação catastrófica como ocorreu em outras nações.  Balladelli informou ao Presidente da República que as Nações Unidas estão num processo de reprogramação de recursos destinados a Angola, enquadrados no amplo plano de cooperação.



Além dos 12,5 milhões de dólares, o responsável anunciou estarem disponíveis mais três milhões de dólares para o Sul do país, visando a estabilização da segurança alimentar das populações do Cunene, Huíla, Namibe e Cuando Cubango. 



“Estes recursos complementam os esforços do Es-tado”, disse Paolo Balladelli, para quem “o recurso mais importante é a assistência técnica, na medida em que torna possível, sempre que necessário, a transferência de conhecimentos, recursos humanos e outras capacidades para enfrentar desafios”.



Paolo Balladelli afirmou que as Nações Unidas reconhecem o esforço do Presidente da República e do Executivo pela boa cooperação, coordenação e organização no combate à propagação da Covid-19 no país.



“A organização e cooperação é fundamental para trazermos todos os recursos, mobilizar os parceiros e financiamentos necessários para a actual fase que o mundo e Angola, em particular, estão a viver”, realçou. O representante das Nações Unidas abordou ainda questões relacionadas com o Estado de Emergência, lembrando que foi uma medida “muito bem pensada e implementada, já que o distanciamento físico e social entre as pessoas, neste momento, é a arma mais importante que temos para evitar o alastramento do vírus”.



Paolo Balladelli reconheceu que o distanciamento pode criar problemas sociais e económicos. Como resposta a isso, a ONU sugeriu a implementação urgente de medidas económicas e sociais que protejam a população, realçando o papel das transferências monetárias e a criação de oportunidades de aceleração da produção nacional.



Neste sentido, lembrou o facto de a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estar a trabalhar em programas ligados ao fortalecimento de cadeias de valor, especialmente na produção de trigo, mandioca, milho, ovos e aves.



O objectivo, explicou, é dotar o país de produção interna para garantir segurança alimentar.



“Em crises, o ponto fundamental deve ser o de manter a segurança alimentar e o acesso à agua”, defendeu.



Máscaras e massificação de testes



O encontro, de quase uma hora, permitiu abordar aspectos estratégicos sobre o uso de máscaras. Balladelli, enquanto perito internacional em Saúde, assegurou ao Chefe de Estado que as máscaras “servem de obstáculo à penetração da carga viral e reduzem a exposição das pessoas ao vírus, mesmo que não seja uma protecção a 100 por cento”.



“As máscaras reduzem entre 40 e 80 por cento a carga viral e a probabilidade de transmissão”, explicou.



Para Balladelli, nos musseques, onde o distanciamento social é praticamente nulo e difícil, as máscaras, além de fazerem a diferença, complementariam os esforços do Governo no combate ao vírus, sugerindo, inclusive, a sua confecção em casa, desde que cumpram critérios essenciais. Entretanto, insistiu no distanciamento social por considerar a máscara complementar.



O responsável disse ter advogado junto do Presidente João Lourenço a necessidade de massificar os testes ao Coronavírus, já que, até há pouco tempo, eram feitos apenas aos viajantes e reconhece que as crianças e mulheres, como em todas as situações de emergência, ficam muito mais expostas.



Por isso, pediu que o Estado e parceiros sociais prestem maior atenção aos refugiados e adoptem mecanismos que mitiguem casos de violência doméstica.



“Todos os colaboradores das Nações Unidas e das suas agências ficaram no país. Ninguém saiu do país. Temos de partilhar este momento com os angolanos e dar a nossa contribuição. Vamos ultrapassar, todos juntos, esta situação”, notou o coordenador residente das Nações Unidas, que defendeu o reforço da protecção do pessoal de saúde.



“Tê-los sem máscaras é patrocinar a sua infecção. Os trabalhadores da saúde podem infectar pacientes se não estiverem bem protegidos”, alertou.



Para Paolo Balladelli, os hospitais devem ser usados apenas por doentes com problemas respiratórios relacionados com a Covid-19, pois, na sua opinião, frequentar unidades sanitárias, nesta fase, seria um factor de reinfecção.



Pico da pandemia pode ser entre finais de Abril e início de Maio



Segundo Paolo Balladelli, o país tem casos positivos confirmados, mas o período mais grave vai ocorrer entre final de Abril e início de Maio. Em face disso, pediu que a preparação do Executivo para este período seja feita com maior acutilância e que não poupe recursos na prevenção ao alastramento da Covid-19. Para o coordenador residente das Nações Unidas, o segredo passa por optar por uma boa organização e bons mecanismos de coordenação, sempre com o Governo na liderança. Sobre a evolução da pandemia em Angola, Balladelli lembrou que não existem ainda estudos que possam definir, com precisão, qual vai ser o comportamento do vírus, a velocidade de transmissão e letalidade em África.



“Esperamos que as condições de África, entre as quais a temperatura, sejam um elemento que sirva para mitigar um pouco a pandemia em África e em Angola. Sabemos que Angola, em termos de infecção, está mais atrasada que outros países”, disse.