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Angola pede apoio de Portugal para combate à corrupção

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, pediu, nesta segunda-feira, 6, em Lisboa, que Portugal continue a apoiar Angola na luta contra a corrupção e à impunidade.


Manuel Augusto foi recebido pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem entregou uma missiva do Chefe de Estado angolano, João Lourenço.



Em declarações à imprensa, depois de participar no Seminário Diplomático, evento dirigido aos principais agentes da diplomacia portuguesa, que decorre em Lisboa e no qual esteve na condição de orador convidado, Manuel Augusto sublinhou que esse combate contra a corrupção e a impunidade “vai beneficiar Angola, em primeira instância, mas também vai beneficiar todos os seus parceiros, nomeadamente Portugal”.



“Sendo Angola um parceiro que pode ser importante, é de interesse da comunidade angolana que seja um parceiro também transparente, onde o ambiente de negócios corresponda aos padrões internacionais. Por isso, esta fase de luta contra a corrupção é absolutamente necessária. Não temos outra opção. É isso que estamos determinados a fazer e mais fácil será se continuarmos a contar com o apoio de países amigos, como Portugal”, salientou.



Arresto de bens



O ministro das Relações Exteriores garantiu que o arresto de bens da empresária angolana Isabel dos Santos “não é um acto isolado” e sublinhou que o repatriamento de bens “mal adquiridos” vai continuar em Angola e que Portugal, tal como a maioria dos países da comunidade internacional, está “muito solidário” com as reformas que estão a ser feitas.



Manuel Augusto referiu que o arresto de bens de Isabel dos Santos e do marido foi o resultado de uma providência cautelar intentada pelo Governo, através do Ministério Público.



“Trata-se de uma acção específica no que diz respeito ao património abrangido. Naturalmente que acreditamos que este é o início de um processo que poderá ter continuidade, não só no que diz respeito à engenheira Isabel dos Santos”.



“Não é um acto isolado, nem dirigido a ninguém em particular, mas a todos aqueles que não aderiram à possibilidade que o Estado deu quando estabeleceu a primeira Lei do Repatriamento Voluntário. Isso vai-se aplicar a todos aqueles que, não tendo aderido, agora vão fazê-lo de forma coerciva. O Governo só parará quando entender estar alcançado aquilo que estabeleceu como meta”, garantiu.



Manuel Augusto afirmou que Portugal, “tal como a maioria dos países da comunidade internacional, está muito solidário com o que se passa em Angola”, em relação às “reformas e combates que o Executivo angolano elegeu como fundamentais para o futuro do país” e acrescentou: “Portugal, sendo um país com relações especiais, tem também, por inerência, responsabilidades e obrigações especiais, que felizmente para nós têm sido assumidas de forma pragmática e aberta”.



País defende cooperação séria e “não paternalista”



O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, defendeu ainda nesta segunda-feira, 6, em Lisboa, que “Angola precisa de cooperação séria, amiga, não paternalista, dinâmica”, em que todos saiam a ganhar.



“Desde o início, o Governo de João Lourenço não se tem poupado a esforços para passar esta mensagem ao mundo, há uma nova Angola para explorar e colaborar, na base do respeito mútuo”, salientou.



Falando na sessão de abertura do Seminário Diplomático, que encerra terça-feira, 7, no Museu do Oriente, em Lisboa, Manuel Augusto assegurou que Angola “tem portas abertas para Portugal e está desejosa de elevar e melhorar o nível da cooperação, porque é possível e porque Portugal, para além da capacidade própria, pode colocar ao serviço de Angola as suas múltiplas ligações no contexto internacional”.



“Contamos convosco e queremos que contem connosco”, sublinhou o ministro das Relações Exteriores.



Manuel Augusto defendeu, ainda, que África tem de deixar “de ser um corpo inerte sobre o qual os abutres dão bicadas”, sustentando que este “continente de oportunidades” tem de ser visto como um parceiro.



O ministro das Relações Exteriores advogou, também, a necessidade de potenciar a relação bilateral com Portugal, defendendo mais diálogo entre os dois governos e encontros mais regulares e frequentes.



“Angola e Portugal estão em posições em que podem fazer a diferença nos problemas globais, mas para nos debruçarmos sobre essas questões, em conjunto, temos de potenciar a relação bilateral, com mais diálogo político entre os governos, tornando os encontros mais frequentes e regulares”, sublinhou o ministro.



Jornal de Angola