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Cientistas investigam tipo de seca que assola Angola

O tipo de seca que assola a região Sul do país, com maior realce na província do Cunene, ainda é desconhecido, o que tem dificultado a determinação de solução para o problema, revelou ontem, em Luanda, Yohei Sawada, um dos cinco cientistas ... Ver mais


Ao falar à margem de um seminário sobre tecnologias espaciais, o especialista, formado em Engenharia pela Universidade de Tóquio, referiu que tal informação vai ser obtida durante um processo de auscultação a ser realizado nos próximos dias, junto de parceiros locais.



Yohei Sawada escusou-se a avançar o tempo que vai levar a encontrar uma solução para o problema da seca no país, por via dessa tecnologia, mas avançou que tal informação está dependente da descoberta do tipo de seca existente no país.



“Só depois de se detectar o tipo de seca é que se vai conseguir encontrar uma solução para o problema”, frisou o especialista, que se recusou a adiantar informações sobre a eficácia do projecto, tendo sublinhado apenas que “o dossier seca é bastante promissor”.



Zolana Rui João, director-geral do GGPEN, reconheceu ser importante a descoberta, primeiro, do tipo de seca existente no país, antes mesmo de se pensar numa solução concreta para o problema, tendo adiantado “não ser possível gerir aquilo que não se consegue medir”, numa altura em que existem vários tipos de seca.



Na ocasião, o responsável do GGPEN esclareceu que a referida tecnologia não vai resolver o problema da estiagem no país, mas sim identificar o tipo de seca existente na região Sul de Angola e suas causas, além de fornecer informações acertadas ao Executivo e aos órgãos que lidam mais directamente com o problema, a fim de ser combatido.



“Se o Governo do Cunene puder ter, em tempo real, o volume de água disponível no rio Cunene ou Cuvelai, está em condições de fazer uma melhor planificação do fornecimento de água ou do acesso das populações a ela”, realçou.



O responsável não revelou o custo do projecto, tendo dito apenas que a investigação é um trabalho extremamente oneroso. “Agora não é possível falar em valores. Só o faremos quando terminarmos todo o processo de diagnóstico do que é necessário fazer para trabalhar na quantificação do problema da seca”, aclarou.



Zolana Rui João disse que o problema da seca pode ser prevenido se se tiver em atenção alguns aspectos, como são os casos, por exemplo, da mudança de cor da vegetação, que pode indicar falta de água.



Acrescentou que as pessoas com responsabilidade para lidar mais directamente com a questão da seca podem ter informações com muita antecedência sobre a falta de água.



A diminuição do líquido em rios, da humidade do solo, da falta de chuva, continuou, servem de indicativo de que poderá aproximar-se um período de seca.



O responsável não precisou o verdadeiro prejuízo já causado, até aqui, pela seca, mas avançou que, pelo menos, mais de um milhão de pessoas já terão sido afectadas por aquele fenómeno natural.



Seca



A seca ou estiagem é um fenómeno climático causado pela falta de precipitação pluviométrica ou chuva, numa determinada região, por um período de tempo muito grande, ou seja, refere-se ao tempo seco de longa duração.



Durante a seca, a água disponível encontra-se abaixo dos parâmetros habituais de uma determinada região geográfica. Por conseguinte, ela deixa de ser suficiente para satisfazer as necessidades dos seres humanos, dos animais e das plantas.



A causa mais habitual da seca é a falta de precipitações. Quando não chove durante períodos muito prolongados, surge a seca meteorológica e, se esta se mantiver, resulta numa seca hidrológica.



Há vários tipos de seca. A permanente é uma delas. É caracterizada pelo clima desértico, onde a vegetação se adapta às condições de aridez, inexistindo cursos de água. Só aparecem depois das chuvas que são fortíssimas tempestades. Ela impossibilita a agricultura sem irrigação permanente.



A seca sazonal é uma particularidade de regiões onde o clima é semi-árido. Nesta vegetação, reproduz-se porque os vegetais adaptados geram sementes e morrem em seguida, ou mantém a vida em estado latente durante a seca.



Nessas regiões os rios só sobrevivem se a sua água for oriunda de outras regiões onde o clima é húmido. Este tipo de seca possibilita o plantio desde que em períodos de chuvas, ou por irrigação.



Seca irregular e variável ocorre em qualquer região onde o clima seja húmido ou sub-húmido e é caracterizado por apresentar variabilidade climática do ponto de vista estatístico.



Seca “invisível”. Esse tipo de seca é o pior, pois a precipitação não é interrompida, porém, o índice de evapotranspiração é maior que o índice pluviométrico, causando um desequilíbrio da humidade regional.



Este desequilíbrio gera uma redução da humidade do ar, que, por sua vez, aumenta o índice de evapotranspiração, que realimenta a perda de humidade subterrânea para a atmosfera, que devolve esta em forma de chuva, que não é suficiente para aumentar a humidade do solo.



JA